sexta-feira, 20 de março de 2026

Frestas da Porta


 Frestas da Porta


Era uma porta de madeira, com trinco pelo lado de dentro.

Do outro lado, dois cômodos apertados, onde viviam sete pessoas. Durante o dia, esse número diminuía — às vezes quatro, às vezes cinco.


A porta tinha pequenas frestas por onde entrava a claridade. Pelos vãos, era possível enxergar quem vinha de longe. Para nós, crianças daquele tempo, cada detalhe já era conhecido: cada ponto em que a luz atravessava era uma descoberta.


Do lado de fora, havia uma grande área descoberta e uma caixa d’água de cimento. Nos dias de lavar, ela se transformava em festa — e em piscina improvisada. Atrás da caixa, ficava o quintal, cenário de esconde-esconde. Jogávamos, sempre com cuidado para não pisar nos canos já enfraquecidos, que deixavam escapar gotas insistentes.


Ao redor da casa, os corredores estreitos mal permitiam nossa passagem. Ali, por muito tempo, acumulavam-se embalagens de tudo o que consumíamos — até o dia da grande faxina.


Com o passar dos anos, novos contrapisos nivelaram o chão. Eu sabia exatamente onde a água costumava empoçar, e por isso estava curioso para ver como ficariam as poças depois da obra. Para minha surpresa, quase não surgiram.


Um novo banheiro foi construído do lado de fora, também com fresta na porta. Usei-o pouco, mas ele foi de grande importância para todos. Logo nasceu também uma pequena cobertura, ligando a porta central ao banheiro, e um banco pintado de branco. Ali conversávamos muito, brincávamos de cartas e dominó, falávamos da programação infantil da época. Os desenhos eram disputados — crianças, jovens e até adultos paravam para assistir.


Havia ainda um atalho, que evitava a rua até chegar à casa de baixo. Mas era preciso coragem para atravessá-lo. Na sublaje, quase inacessível, escondia pequenos tesouros: uma bolinha de gude, um livro, qualquer coisa que eu julgasse importante.


O tempo passou. A criança virou adulto. A casa ganhou novos cômodos. As crianças de ontem hoje são pais, tios, padrinhos. As portas multiplicaram-se, mas as frestas já não existem. A caixa d’água ergue-se, como as demais, no alto. A casa cresceu.


E eu, do presente, carrego comigo as marcas desse passado. São memórias que me constituem, lembranças de um sobrevivente de tudo o que foi — e que segue sendo, enquanto sigo em frente.

Feito por Robert P. Campista


Espírito Santo

 


Espírito Santo

Ele já estava em mim, e eu O sentia.
Falei d’Ele e gritei por Ele.

Aquele sentimento quente balançava a minha alma, fazia tremer o meu coração. Ao som da minha própria voz, eu ouvia o nome d’Ele soar. A solidão da minha voz era como um clamor, um pedido de misericórdia.

Era algo subjetivo ao lugar e às companhias que estavam comigo naquele momento. Foi uma inspiração e, ao mesmo tempo, uma necessidade. Uma força, uma conexão inesperada que me arrepiava e me fazia cantar o Seu nome, para sentir um pouco mais daquele instante.

Não sei bem o que foi nem o porquê, mas sei que foi ali, naquela hora. E sei que foi bom e necessário para mim. Não sei o que viria depois dali, mas sei que as horas passaram e, ainda agora, consigo sentir, lembrar e descrever o que foi o que senti, o que vivi, e o quanto aquilo me fez bem.

Por: Robert Campista

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Acredite, vá em frente!



 Eu não sei se é sensibilidade ou medo.

Aceitei deixar as coisas acontecerem...

Se a vida foi dada, como não aceitar o ritmo?


Você já tentou fazer as coisas não acontecerem? Já tentou impedir o dia de nascer, o sol de se esconder ou fazer a chuva parar? Você não pode.


A vida já tem seu ritmo, queira você ou não.

Então, resta apenas aceitar. Pode ser difícil e doloroso, mas, ao que tudo indica, basta aceitar que ela já te EN-CARREGA, como um rio que se move sem poder parar, com a proteção de suas margens para não se perder de sua forma. Mesmo quando se altera, ela permanece entre as margens, pois nunca deixa de existir.

Aceite, não pare.

Por: Robert Campista


A árvore


 





Debaixo de um dia de sol forte, existe uma árvore.
Ela é muito alegre, parece dar gargalhadas quando o vento sopra e invade suas galhas.
Que linda!
Tão grande, tão brincalhona, tão linda!
Ninguém entende como uma árvore, com um caule tão firme no chão, consegue se balançar tanto.
Ah, essa árvore, sinônimo de liberdade, mesmo presa ao chão, consegue rir ao se balançar.
Um convite para brindar junto ao sol faz com que, dela, nasçam vento e sombra, às vezes até frutos...
Que vontade de fazer parte dessa harmonia, que vontade!
Mais legal ainda é que ela atrai amigos de todos os cantos, que vêm trazer notícias que rolam por aí: são macacos, passarinhos, aranhas, formigas, cupins, quero-quero, bem-te-vi,
hospedam-se também muitos joões-de-barro por ali.
Contudo, só posso dizer: que beleza essa harmonia! Alegria que resplandece meu dia.

A CANJICA

 

A Canjica

Ainda me lembro...

Lembro-me dos cheiros… da canjica cozida na lenha;

Lembro-me do barulho da panela de pressão a cozinhar;

Lembro-me da cor preta ao redor da panela;

Lembro-me da fumaça preta e do cheiro suave do leite escorrendo do pino que girava;

Lembro-me da altura da panela, do buraco no chão para inserir a lenha e da grade que servia como meio para o resultado;

Lembro-me do gosto do doce, que traz ao coração sensações ainda frescas, apesar do tempo...

Canjica que não envelhece. Pelo contrário, ela me transporta para este lugar, fazendo-me sentir simplesmente bem.

Por: Robert Campista

sábado, 24 de março de 2012

ESPELHO EM NÓS

ESPELHO EM NÓS

Me ligou convidando para jantar
cheguei e me surpreendi ao entrar
não imaginava a machucar 
atrás da porta estava querendo me assustar

com beijo em seu pé tentei aliviar
trazia comigo toda vontade de beija-lá e a beijei...
depois de uma discussão choramos, refletimos, conversamos e nos beijamos.

No banheiro olhei para o espelho e nos vi com sabão e água escorrendo 
com olhos inchados olhei no espelho enxerguei aliviado que

ao me aproximar de ti havia uma tatuagem desenhada em seu peito
completando as iniciais formadas no seu lado direito em mim
ao fechar os olhos ouço batidas fortes,  sinto um vento em minha boca

é o seu suspirar que ao me abraçar sinto quente o seu peito 
revelando pra mim a tatuagem que da sentido em nós.
  AM -OR.






Feito por:  ROBERT  P. CAMPISTA

domingo, 13 de novembro de 2011

O tempo parece ser tão Grande...


O tempo parece ser tão grande...

Quando acordo pela manhã, às 5h15min, meu dia começa com o olhar para o céu. Percebo que ele é tão vasto quanto o dia que tenho à frente. Desde então, os minutos não param de passar e logo se tornam uma corrida: tomo banho, tomo café, escovo os dentes, me visto e espero o ônibus.

Chego à faculdade meio sonolento. Da janela, vejo as pessoas na rua e percebo a pressa delas. Essa correria, sem querer, me alivia; não sou o único, todos estão correndo!

Por que eles correm? Como parar o tempo?

Bom, sei que eles programaram o relógio deles para realizar sonhos, metas, objetivos ou para comprar prioridades ou supérfluos. No meu caso, vou comprar entendimento com meu tempo, e, para isso, tive que obedecer a um tempo que programei junto com o meu relógio.

Como parar o tempo?

Bem, essa pergunta é um pouco complicada. O tempo dado por nós ao relógio só é desobedecido por problemas de saúde ou por outra pessoa que possa interferir nele. Como assim? O que ele está querendo dizer? Você deve estar se perguntando...

Bom, gente, sabemos que o tempo dos outros, querendo ou não, interfere no nosso. Por exemplo, o motorista de ônibus que passa todos os dias na mesma hora. Ele programou o tempo dele, seja como for, para acordar tal hora, tomar banho... Tudo como eu e você fazemos dentro do nosso tempo. Mas, se acontece algo errado com o tempo dele, ele atrasa o meu dia sem querer. Isso porque o tempo faz da nossa vida um ciclo, um sistema, uma rotina.

O relógio não é só constituído por segundos, minutos e horas; esses formam pares com os dias, as noites, as semanas, os meses, os anos, os séculos...

Pena que a vitalidade não goste do tempo. Seria tão bom ter tempo para tudo quando ainda somos jovens, mas a juventude passa com o tempo e nós morremos sem aproveitar o tempo ou desperdiçando-o com bobagens. O tempo existe sem que eu queira, e eu devo administrá-lo da melhor maneira. Aproveite e descubra a melhor maneira de parar o tempo ou atrasá-lo, use-o da melhor forma.


Autoria: Robert P. Campista


domingo, 9 de outubro de 2011

Sozinho ou invisível?



Sozinho ou invisível?







Às vezes me sinto só. O que será que acontece comigo?

À procura de um olhar sem direção, busco e não acho.

Será que vai ser sempre assim?

Será que estou perdido ou encontrado, neste mundo vasto de beleza, onde me vejo invisível?

Ou será que são elas que não me enxergam?

O dinheiro é pouco. Eu sei que, às vezes, é preciso ficar em casa, mas o medo já é a minha prisão. O que será que vai sobrar de mim?

No encontro, estou perdido. As palavras não encontram ouvidos. Caminhando devagar, o chão parece voar. Vejo vários postes acesos e me sinto cercado para que eu não saia da estrada...

É tão difícil ser grande e não ter idade para poder decidir nada!

Poder estar no meio e não ser notado, andar pelas ruas e não ser reconhecido... O que acontece? Sou invisível?! Por que não posso tê-la? As leis nos aprisionam... Como ser feliz diante de tantas limitações?

Se pudesse agradecer, eu agradeceria ao meu professor por ter me ensinado a escrever! Ao menos saberia que, ao deixar este papel, estaria me comunicando com outra pessoa e, assim, não estaria sozinho.

Ainda parece um labirinto...

Às vezes tenho alguém, mas, quando realmente forço meus olhos, percebo que não havia ninguém.



Feito por: Robert P. Campista

sábado, 24 de setembro de 2011

Amar você é

Amar é viver sonhando,

É acreditar em outro alguém,

É ser feliz por  ter você sempre ao meu lado,

Amar sem dúvidas é ter você para viver,




Amar é dividir a cama e os sonhos todas as noites,

É acordar pensando em você,

É colocar você sempre presente nas horas difíceis,

É olhar em teus olhos e dizer:

Não vivo sem você.




Amar é contar com você em todos os momentos,

É ajudar, é compreender, para sempre viver amando.

É fazer dos pequenos momentos felizes da vida,

A maior felicidade do mundo,




 Amar é como o carro vermelho direcionado, 

acelerado que quando liga o farol dos olhos e te vê, 

tem a certeza de que esta amando.


Autoria:
Robert P. Campista